Ministros israelenses afirmam que 22 novos assentamentos
judeus foram aprovados na Cisjordânia ocupada —
a maior expansão em décadas.
Vários já existem como postos avançados, construídos sem
autorização do governo, mas agora serão legalizados de acordo com a lei
israelense. Outros são completamente novos, segundo o ministro da Defesa,
Israel Katz, e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich.
Os assentamentos — que são amplamente vistos como ilegais
pelo direito internacional, embora Israel conteste
isso — são uma das questões mais controversas entre Israel e os
palestinos.
Katz disse que a medida "impede o estabelecimento de um
Estado palestino que colocaria Israel em perigo", enquanto a presidência
palestina classificou a iniciativa com uma "escalada perigosa".
A organização israelense Peace Now (Paz Agora), que monitora
a expansão e se opõe aos assentamentos, classificou a ação como "a mais
abrangente do tipo" em mais de 30 anos — e alertou que a medida
"transformaria drasticamente a Cisjordânia e consolidaria ainda mais a
ocupação".
Nesta quinta-feira (29/5), Israel Katz e Bezalel Smotrich — líder ultranacionalista que tem controle sobre o planejamento na Cisjordânia — confirmaram oficialmente uma decisão que acredita-se ter sido tomada pelo governo há duas semanas.
Um comunicado anunciou que eles haviam aprovado 22 novos
assentamentos, a "renovação do assentamento no norte de Samaria [norte da
Cisjordânia] e o fortalecimento do eixo oriental do Estado de Israel".
O texto não inclui informações sobre a localização exata dos
novos assentamentos, mas os mapas que estão circulando sugerem que eles vão
estar espalhados por toda a Cisjordânia.
Katz e Smotrich destacaram o que descreveram como
"retorno histórico" a Homesh e Sa-Nur, dois assentamentos no norte da
Cisjordânia que foram evacuados ao mesmo tempo em que Israel retirou suas
tropas e colonos de Gaza em 2005.
Há dois anos, um grupo de colonos estabeleceu uma escola
religiosa judaica e um posto avançado não autorizado em Homesh, que, segundo a
Peace Now, estaria entre os 12 assentamentos legalizados pela lei israelense.
Nove dos assentamentos seriam completamente novos, de acordo
com a agência de monitoramento. Eles incluem Mount Ebal, ao sul de Homesh e
próximo à cidade de Nablus, e Beit Horon Norte, a oeste de Ramallah, onde a
construção já havia começado nos últimos dias, segundo a organização.
O último dos assentamentos, Nofei Prat, era atualmente
considerado oficialmente um "bairro" de outro assentamento próximo a
Jerusalém Oriental, Kfar Adumim, e agora seria reconhecido como independente,
acrescentou a Peace Now.
Katz disse que a decisão foi um "movimento estratégico
que impede o estabelecimento de um Estado palestino que colocaria Israel em
perigo, e serve como uma proteção contra nossos inimigos".
"Essa é uma resposta sionista, de segurança e nacional
— e uma decisão clara sobre o futuro do país", acrescentou.
Smotrich chamou a medida de uma "decisão única em uma
geração", e declarou: "A próxima etapa é a soberania!"
Mas um porta-voz do presidente da Autoridade Palestina,
Mahmoud Abbas — que governa partes da Cisjordânia que não estão sob total
controle israelense —, classificou a decisão como uma "escalada
perigosa", e acusou Israel de continuar a arrastar a região para um
"ciclo de violência e instabilidade".
"Esse governo israelense extremista está tentando, por
todos os meios, impedir o estabelecimento de um Estado palestino
independente", afirmou Nabil Abu Rudeineh à agência de notícias Reuters.
Lior Amihai, diretor da Peace Now, acrescentou: "O
governo israelense não finge mais o contrário: a anexação dos territórios
ocupados e a expansão dos assentamentos é seu objetivo central."
Elisha Ben Kimon, jornalista israelense do popular site de
notícias Ynet que cobre a Cisjordânia e os assentamentos, disse ao programa
Newshour, da BBC, que de 70% a 80% dos ministros queriam declarar a anexação
formal da Cisjordânia.
"Acho que Israel está a poucos passos de declarar esta
área como território israelense. Eles acreditam que este período nunca mais vai
voltar, esta é uma oportunidade que eles não querem perder — é por isso que
estão fazendo isso agora", afirmou Ben Kimon ao Newshour.
Israel anexou efetivamente Jerusalém Oriental em 1980, em
uma ação não reconhecida pela grande maioria da comunidade internacional.
Esta última medida é um golpe contra os esforços renovados
para reavivar o ímpeto de uma solução de dois
Estados para o conflito entre
Israel e os palestinos, que já dura décadas — a fórmula internacionalmente
aprovada para a paz que propõe a criação de um Estado palestino independente ao
lado de Israel — com uma cúpula franco-saudita planejada na sede da Organização
das Nações Unidas (ONU) em Nova York no próximo mês.
O Ministério das Relações Exteriores da Jordânia condenou o
que chamou de "violação flagrante do direito internacional" que
"prejudica as perspectivas de paz ao consolidar a ocupação".
Hamish Falconer, do Ministério das Relações Exteriores do
Reino Unido, disse que a medida era "um obstáculo deliberado à criação do
Estado palestino".
Desde que assumiu o poder, o atual governo israelense
decidiu estabelecer um total de 49 novos assentamentos, e iniciou o processo de
legalização de sete postos avançados não autorizados, que serão reconhecidos
como "bairros" de assentamentos existentes, de acordo com a Peace
Now.
No ano passado, o principal tribunal da ONU emitiu um
parecer consultivo afirmando que "a presença contínua de Israel no
Território Palestino Ocupado é ilegal". A Corte Internacional de Justiça
(CIJ) também afirmou que os assentamentos israelenses "foram estabelecidos
e estão sendo mantidos em violação ao direito internacional", e que Israel
deveria "retirar todos os colonos".
Fonte: BBC NEWS BRASIL